Costumava ser simples: dizer do que é, que não é; ou do que não é, que é, é falso; enquanto dizer do que é, é e do que não é, que não é, é verdade, apontava Aristóteles.
Essa simplicidade parece que ter sido corroída por uma variedade de forças diferentes que vão da ciência, filosofia à abertura das sociedades democráticas e da internet, tudo isso nos tornando cada vez mais conscientes das maneiras pelas quais somos enganados ou simplesmente errados. No entanto, considerando os tempos em que vivemos, a chamada sociedade da “pós-verdade”, qual o custo de tentar buscar, encontrar e dizer a verdade? Podemos lidar com isso?
Os fatos importam cada vez menos, enquanto narrativas poderosas, hipócritas e moralistas nos governam e limitam.
Devo confessar que pensei que tudo isso poderia ser engraçado quando do primeiro rascunho do roteiro, enfim, a constatação de que todos nós sabemos que tanto a realidade quanto a verdade não são naturais, algo inocentemente “dado”, mas pelo contrário, são, cada vez mais, ilusões ideológicas sustentadas pela matriz do capitalismo pós industrial, a cultura de mídia e padrões morais – tudo cheirando a naftalina. O fato de sabermos que o que estamos fazendo é essencialmente falso, mas seguir fazendo de qualquer forma. Isto me pareceu engraçado quando pensei no filme pela primeira vez.
No entanto, não apenas o custo de dizer “a verdade” nos tempos em que vivemos é perigosamente alto, mas tornou-se impossível não ver “sombras de tragédia” no material. Sombras do nosso fracasso coletivo – em especial quando pensamos no gênero masculino – e de nossa hipocrisia.
A verdade dói.
Dito isto, é sempre melhor rir do que chorar. A ironia é um instrumento de negociação necessário, uma estratégia essecial para evitar o inevitável silêncio dos hipócritas.
Filmei uma história de amor.
Happy Hour?
Ou não?
Creio que depende de quais aspectos do filme quem ver escolher ver, reparar.